O Eu lírico, Sujeito Lírico ou Eu poético é um conceito que designa a voz que se manifesta na poesia.
Criada pelo poeta, essa voz apresenta as reflexões, sentimentos, sensações e emoções de um sujeito fictício que discursa em primeira pessoa (Eu).
Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo! Ai Deus, e u é?
Ai, flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado! Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo, aquel que mentiu do que pôs comigo! Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado aquel que mentiu do que mi há jurado! Ai Deus, e u é?
-Vós me preguntades polo voss'amigo, e eu bem vos digo que é san'e vivo. Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss'amado, e eu ben vos digo que é viv'e sano. Ai Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é san'e vivo e será vosco ant'o prazo saído. Ai Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é viv'e sano e será vosc'ant'o prazo passado. Ai Deus, e u é?
(Dom Dinis)
Nessa canção trovadoresca de amigo o eu lírico é feminino, enquanto o autor da cantiga é masculino.
A voz do poema surge de uma senhora (a entidade fictícia criada pelo escritor) que fala do seu amado. Entretanto, quem escreveu a poesia, ou seja, a pessoa real, é o escritor português Dom Dinis (1261-1325), conhecido como o “rei-poeta”.
Eu sou feita de madeira Madeira, matéria morta Mas não há coisa no mundo Mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho Pra passar o menininho Eu abro bem com cuidado Pra passar o namorado Eu abro bem prazenteira Pra passar a cozinheira Eu abro de supetão Pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente Que diz (a mim bem me importa...) Que se uma pessoa é burra É burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa Fecho a frente do quartel Fecho tudo nesse mundo Só vivo aberta no céu!
(Vinicius de Moraes)
Os exemplos mostram que o escritor escolhe qual personagem ele vai criar para dar voz à sua poesia. Faz isso quando opta por um eu-lírico, que tanto pode ser masculino, feminino ou, tal como no poema de Vinicius de Moraes, um objeto.
Um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa, Fernando Pessoa, nos chama a atenção para essa diferença entre o eu-lírico e o poeta quando cria seus heterônimos.
Os heterônimos são pessoas inventadas pelo poeta, que têm sua própria personalidade e, assim, assinam os poemas. Os mais conhecidos heterônimos de Pessoa são Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro.
Mesmo que todos os poemas tenham sido escritos por Pessoa, muitos deles possuem personalidade distintas, as quais ele incorpora quando escreve.
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