Sousândrade (1833-1902) foi um escritor e professor brasileiro pertencente à terceira geração do romantismo, também chamada de geração condoreira.
Destacou-se pela ousadia e originalidade seja pela escolha de temas sociais, nacionalistas e nostálgicos, bem como pelo uso de palavras estrangeiras (em inglês e indígenas) e de neologismos.
Embora sua obra apresente traços da segunda e da terceira geração romântica, estudiosos afirmam que há presença de elementos modernos.
Isso por causa da construção poética com experimentações vanguardistas e ainda, pelos temas explorados por ele.
A obra de Sousândrade, após anos no esquecimento, passou a ser analisada a partir dos anos 50.
Os estudos foram retomados pelos poetas e irmãos Augusto e Haroldo de Campos que publicam “Revisão de Sousândrade” nos anos 1960.
Nas palavras de Augusto de Campos:
“(...) no quadro do Romantismo brasileiro, mais ou menos à altura da denominada 2ª geração romântica (conceito cronológico), passou clandestino um terremoto. Joaquim de Sousa Andrade, ou Sousândrade, como o poeta preferia que o chamassem, agitando assim, já na bizarria do nome, aglutinado e acentuado na esdrúxula, uma bandeira de guerra.”
Joaquim Manuel de Sousa Andrade, mais conhecido por Sousândrade, nasceu na vila maranhense de Guimarães, no dia 09 de julho de 1833.
Passou sua vida entre Brasil, Europa e Estados Unidos visto que era filho de comerciantes de algodão.
Portanto, tinha possibilidades econômicas que o proporcionaram a viajar e entrar em contato com outras culturas, tema que explora em suas obras.
De 1853 a 1857, graduou-se em Letras na Sorbonne, Paris. O ano de 1957 foi importante pois publica seu primeiro livro de poesias “Harpas Selvagens”.
Em 1870, com 38 anos, passa a viver nos Estados Unidos. Chegou a morar em Nova Iorque, onde foi secretário e colaborador do periódico “O Novo Mundo” (1871-1879).
Nesse período escreveu bastante sobre as impressões existentes entre o Brasil e os Estados Unidos.
Sousândrade era Republicano e, em 1890, quando retornou ao Maranhão, foi eleito Presidente da Intendência Municipal de São Luís e se candidatou para o cargo de Senador.
Foi ele quem idealizou a bandeira do Estado do maranhão, realizou a reforma do ensino e fundou escolas mistas. Além disso, lecionou grego no Liceu Maranhense.
A despeito de ser considerado louco, no final de sua vida, Sousândrade foi ignorado por todos, morrendo sozinho e na miséria. Abandonado pela mulher e filha faleceu dia 21 de abril de 1902, com 69 anos, na capital do Maranhão, São Luís.
Embora desconhecido por grande parte das pessoas, Sousândrade possui uma obra inovadora, sendo considerado um dos escritores visionários do século XIX.
Sobre esse ponto, interessante observar que, em 1877, ele mesmo escreveu:
“Ouvi dizer já por duas vezes que o “Guesa Errante” será lido 50 anos depois; entristeci - decepção de quem escreve 50 anos antes”.
Importante destacar que “O Guesa Errante” é sua obra mais importante, escrita entre 1858 e 1888.
Trata-se de uma epopeia dramática narrativa que conta a trajetória do Guesa, personagem lendária pertencente ao culto solar indígena solar dos índios Muyscas, da Colômbia.
Esse poema narrativo está dividido em 13 Cantos (12 cantos e 1 epílogo), dos quais permaneceram inacabados quatro cantos (VI, VII, XII e XIII).
Algumas obras que se destacam:
Segue abaixo trechos de sua obra mais emblemática "Guesa Errante" e da obra "Harpa de Ouro":
“Eia, imaginação divina! Os Andes Vulcânicos elevam cumes calvos, Circundados de gelos, mudos, alvos, Nuvens flutuando – que espetac’los grandes! Lá onde o ponto do condor negreja, Cintilando no espaço como brilhos D’olhos, e cai a prumo sobre os filhos Do lhama descuidado; onde deserto, O azul sertão, formoso e deslumbrante, Arde do sol o incêndio, delirante Coração vivo em céu profundo aberto! “Nos áureos tempos, nos jardins da América Infante adoração dobrando a crença Ante o belo sinal, nuvem ibérica Em sua noite a envolveu ruidosa e densa. “Cândidos Incas! Quando já campeiam Os hérois vencedores do inocente Índio nu; quando os templos s’incendeiam, Já sem virgens, sem ouro reluzente, “Sem as sombras dos reis filhos de Manco, Viu-se… (que tinham feito? e pouco havia A Fazer-se…) num leito puro e branco A corrupção, que os braços estendia! “E da existência meiga, afortunada, O róseo fio nesse albor ameno Foi destruído. Como ensaguentada A terra fez sorrir ao céu sereno! “Foi tal a maldição dos que caídos Morderam dessa mãe querida o seio, A contrair-se aos beijos, denegridos, O desespero se imprimi-los veio, - “Que ressentiu-se verdejante e válido, O floripôndio em flor; e quando o vento Mugindo estorce-o doloroso, pálido, Gemidos se ouvem no amplo firmamento! “E o sol, que resplandece na montanha As noivas não encontra, não se abraçam No puro amor; e os fanfarrões d’Espanha, Em sangue edêneo os pés lavando, passam.”
República é Menina Bonita Diamante Incorruptível
1
Entre os astros, sagrados montes Feliz asilo da paixão: Puros jardins, sonoras fontes, E virginal um coração Vibrando aos claros horizontes E encantado à etérea soidão.
2
Quis ser em chegar, primeirinha: Oh! A gentileza do lar! A tudo dispor; pra onde vinha Sem dizer e onde a s’encontrar Fé, por sugestão que adivinha, Alma que espera. “Hei de, he de a(...)
3
“Doces miragens, adeus! Vejo Na profundez do coração, O interno oceano do desejo, D’Heleura a ideal solidão: Vos deixo a Deus. Deixai-me o beijo Preço da livre sem senão:
4
“Doutra dona... oh, a inteligência Dona... mas, cetim branco e flor! ‘Menina e moça’, áurea existência Musa cívica a Musa-Amor! Já fotografara-te o pensamento Que um pensamento houve a transpor”.
5
Das cinzas fênix renascida, Arte divina a retratar Anos treze - quão parecida! Ela era; hei de noutra a encontrar Helê que dos céus é descida, Céus! A borboleta solar!
6
“A metamorfose sagrada De jovem pátria e o cidadão Oiro de lei, Virgínia honrada Por todo o nobre coração: Ditando diga: eu sou a amada, A amante Luz, o Amor e o Pão.”
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