Fim da Guerra do Afeganistão (2021)

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A Guerra do Afeganistão foi um conflito político-militar iniciado em 2001, envolvendo o Afeganistão e os Estados Unidos, para além dos aliados de ambos. Seu término se deu em agosto de 2021, com a retirada das tropas estadunidenses de solo afegão e o consequente retorno do Talibã ao poder.

Ao longo de 20 anos, o conflito acumulou cerca de 171 mil mortes, das quais 47 mil são civis. Para os estadunidenses, ela teve um custo alto também em cifras: cerca de US$ 2,26 trilhões de dólares foram utilizados nas operações militares na região.

A decisão dos Estados Unidos de retirar suas tropas do país resultou de diversos fatores. Por um lado, expressaram o desgaste de uma longa ocupação militar estabelecida sob o pressuposto de “trazer” a democracia para o Afeganistão e que falhou em alcançar tal objetivo.

Por outro lado, a reorganização e crescimento do Talibã na última década contribuiu para limitar os planos estadunidenses para o Afeganistão.

Contexto inicial

A guerra começou no contexto dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, assumidos pela Al-Qaeda, à época liderada por Osama Bin Laden. Os ataques foram utilizados como justificativa pelo presidente George W. Bush e seu sucessor, Barack Obama, para invasões estadunidenses em países identificados como ligados ao terrorismo.

Em 7 de outubro de 2001, os EUA invadiram o Afeganistão. A ação resultou na queda do Talibã, no poder desde 1993, e sua substituição por Hamid Karzai, o novo presidente do país. Nos anos seguintes, o grupo Talibã se deslocou para outros países, principalmente o Paquistão. Com isso, a chamada “guerra ao terror”, levada adiante pelos norte-americanos, se espalhou pela região, estimulando novos conflitos e guerras no oriente médio.

O retorno Talibã

Em 2006, reestruturado, o grupo voltou para o Afeganistão e conquistou diversas cidades, instaurando outro regime político no país. Opondo-se diretamente aos Estados Unidos. Eles conquistaram outras regiões em 2009, um feito para o qual a resposta do então presidente Barack Obama foi o envio de mais de 50 mil soldados para o país naquele ano.

Dois anos depois, em 2011, os Estados Unidos anunciaram a morte de Osama Bin Laden, resultado de uma operação especial conduzida no Paquistão. Até 2017, o Talibã conquistou ainda mais territórios e escancarou a fragilidade do regime político apoiado pelos Estados Unidos no país.

Consequências

Diferente do que a comunicação pública do governo norte-americano, a entrada norte-americana no Afeganistão não trouxe melhora para a sua situação política, econômica e social. Na realidade, ao longo da guerra, tropas da coalizão liderada pelos norte-americanos protagonizaram diversos escândalos como abuso de mulheres e humilhação de civis.

O governo norte-americano instalou um regime cliente de características neocoloniais. À medida que perpetuou a concentração de poder e a desigualdade social durante os 20 anos em que vigorou. Tanto Karzai como seu sucessor, Ashraf Ghani, tiveram governos marcados por corrupção, fraudes eleitorais e subserviência aos interesses estrangeiros na região.

Anos finais

Quando Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, em 2017, recebeu o legado fracassado de uma ocupação de 20 anos em terras afegãs. Gerando altos gastos e perdas, a guerra começou a perder ainda mais legitimidade na opinião pública estadunidense. Donald Trump viu o seu fim como positivo para seu capital político, o que levou ao Acordo de Doha (2020), que previa a retirada das tropas.

Quando Joe Biden assumiu a presidência, em 2021, levou adiante a retirada das tropas, cujas imagens rodaram o mundo: centenas de afegãos invadindo aviões que levariam de volta os estrangeiros, a maioria dos que tentavam escapar trabalhavam para o governo aliado dos Estados Unidos ou a outros países ocidentais. A saída apressada de diversos países teve uma repercussão negativa, piorando ainda mais a imagem dos Estados Unidos como ator global. Alguns especialistas dizem que este foi um momento emblemático do início de uma nova ordem global onde a China desponta como líder.

Com o Talibã ocupando Cabul e a maioria do território do país, com exceção do Vale do Panjshir, uma nova era da história do Afeganistão, e talvez do mundo, se iniciou.

Bibliografia:

ALMEIDA, Filipe Velho; DE CAMPOS VELOZO, Sandra Marinês; DO CANTO CAVALHEIRO, Carmela Marcuzzo. Reflexões sobre os possíveis cenários após a retirada das tropas americanas do Afeganistão. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 2, 2021.

REIS, Bruno Cardoso et al. Afeganistão: Quo Vadis?. IDN Brief, 2021.

WEINBAUM, Marvin. “Afghanistan”. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/place/Afghanistan. Acesso: 16/11/21.

HARTMAN, Arturo; SCHMIDT, Thales. “Entenda a história recente do Afeganistão (...)”. Brasil De Fato. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/08/22/entenda-a-historia-recente-do-afeganistao-e-veja-o-que-dizem-mulheres-do-pais-sobre-o-taliba. Acesso em: 16/11/21.

FEROZ, Erman. “Ocidente fechou os olhos para a realidade no Afeganistão e a Guerra ao Terror”. Brasil de Fato. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/08/20/ocidente-fechou-os-olhos-para-a-realidade-no-afeganistao-e-a-guerra-ao-terror. Acesso em: 16/11/21.

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