Derivação imprópria

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Derivação Imprópria, também chamada de Conversão, é um dos processos de formação de palavras em Língua Portuguesa que ocorre a partir da mudança da classe gramatical de uma palavra, a depender do contexto em ela é utilizada. Este processo não ocasiona alterações sonoras e/ou gráficas da palavra, isto é, a escrita e a pronúncia permanecem as mesmas.

Na maioria dos casos, a Derivação Imprópria ocorre com a anteposição de um artigo ou pronome adjetivo à palavra derivada (o, os, a, as, um, uns, uma, umas).

Leia os exemplos a seguir observando os diferentes contextos de utilização da palavra “gato”:

  • O gato entrou pela janela e derrubou os vasos. (Substantivo Primitivo)
  • Acho André um gato, mas ele nem sabe que eu existo. (Adjetivo)
  • O vizinho fez um gato na fiação elétrica e causou um curto circuito. (Substantivo Derivado)

A partir destes exemplos é possível observar que a palavra “gato” (Substantivo Primitivo) assume outras funções e sugere diferentes efeitos de sentidos, dependendo do contexto em que é inserida, ocasionando a mudança de sua classe gramatical (Adjetivo e Substantivo Derivado).

Tipos de Derivação Imprópria

Verbos que formam Substantivos:

A depender do contexto, alguns Verbos assumem a função de Substantivos. Veja os exemplos:

É recomendável olhar a data de validade dos alimentos. (Verbo) O seu olhar não me parece bom. (Substantivo)

Vou jantar no restaurante japonês. (Verbo) O jantar está servido. (Substantivo)

Vou falar com ele sobre seu problema. (Verbo) O falar e o fazer são duas coisas bem diferentes. (Substantivo)

Substantivos que formam Adjetivos:

Alguns Substantivos assumem a função de Adjetivos, dependendo do contexto de utilização. Veja os exemplos:

O fantasma do filme não põe medo em ninguém. (Substantivo) O castelo fantasma é logo ali. (Adjetivo)

O monstro apareceu mas todas as personagens conseguiram escapar. (Substantivo) Resumo do feriado: pegamos um engarrafamento monstro e tivemos dois pneus furados. (Adjetivo)

O porco fugiu mas logo foi resgatado. (Substantivo) Que menino porco! (Adjetivo)

Adjetivos que formam Substantivos:

A depender do contexto, alguns Adjetivos assumem a função de Substantivos. Veja os exemplos:

Os lobos maus das historinhas infantis sempre se dão mal. (Adjetivo) Os maus nada receberão. (Substantivo)

Relaxa, você ainda é jovem demais. (Adjetivo) “O jovem no Brasil nunca é levado a sério”. (Substantivo)

Ela é muito bonitinha! (Adjetivo) A bonitinha aqui estava escondida atrás da escada. (Substantivo)

Adjetivos que formam Advérbios:

Alguns Adjetivos assumem a função de Advérbios, dependendo do contexto de utilização. Veja os exemplos:

Ele é alto, magro, está vestindo jeans e blusa azul. (Adjetivo) Nossa, ele fala alto demais! (Advérbio)

O cachorro é manso. (Adjetivo) O rio corre manso nessa época do ano. (Advérbio)

Ele é um homem sério. (Adjetivo) Fala sério! (Advérbio)

Advérbios que formam substantivos:

Alguns Advérbios assumem a função de Substantivos, dependendo do contexto de utilização. Veja os exemplos:

Sim, estou na fila ainda. (Advérbio) Estou ansioso pelo sim da minha noiva. (Substantivo)

Ele não quer salada. (Advérbio) Ouvi muito não até chegar onde cheguei. (Substantivo)

Numerais que formam Adjetivos:

A depender do contexto, alguns Numerais assumem a função de Adjetivos. Veja os exemplos:

Tenho dez figurinhas do Flamengo. (Numeral) Você é dez! (Adjetivo)

Tirei nota zero no teste de ontem. (Numeral) Para motoristas embriagados, tolerância zero! (Adjetivo)

Aprenda mais sobre os processos de formação de palavras por Derivação: Prefixal, Sufixal, Parassintética e Regressiva.

Referência:

ABURRE, Maria Luiza M. Gramática: texto: análise e construção de sentido. Volume único. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 152.

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