Patrimônio ambiental

O conjunto de bens naturais de um país e que lhe prove valor econômico, ecológico, cultural, espiritual, paisagístico, histórico e social pode ser considerado como seu patrimônio ambiental. Esse patrimônio deve ser protegido e conservado por todos através de atitudes de vida e consumo mais conscientes. Embora uma pessoa ou grupos de pessoas possam ter menos efetividade e impacto em suas iniciativas do que os lideres políticos e os diretores de grandes empresas, ações individuais e locais contribuem para grandes mudanças.

Quando um bem possui um dono claro, estipulado por lei, fica fácil cobrar medidas de controle e proteção. Contudo, o patrimônio ambiental do mundo muitas vezes recai sobre o estado de maneira abstrata, sem que ajam mecanismos eficientes de monitoramento das ações consideradas como sustentáveis. A corrupção e ambição humana agravam esse cenário, pois em muitas situações, indivíduos ou corporações com grande influência política ou econômica conseguem alterar decisões chave que podem pôr em risco atos ambientalistas de proteção do meio ambiente.

Foto: sarayut_sy / Shutterstock.com

Organizações civis como ONGs ganham um papel de protagonismo ao redor do mundo ao trazer para o debate ambiental a responsabilidade de cada cidadão na preservação dos recursos naturais e da biodiversidade para as gerações futuras, uma vez que este também é um dever dos tomadores de decisão atuais. Cobrar as autoridades é essencial, mas implementar medidas simples em nossas vidas é uma atitude prática e imediata que impacta à nós mesmos e aqueles que vivem ao nosso redor. Reciclar o lixo, evitar o consumo dos produtos de empresas que não possuam certificações ambientais e buscar informações acerca de sustentabilidade e educação ambiental são alguns exemplos de ações pessoais simples que reduzem os nossos impactos sobre o meio ambiente.

Outro debate importante em relação à conservação do patrimônio ambiental global é o cuidado e o desenvolvimento de políticas de proteção para com as populações nativas. As tribos indígenas e quilombolas no Brasil, as populações maori e aborígene na Nova Zelândia e Austrália e os esquimós no Canadá são exemplos de populações nativas que já possuem, a centenas de anos, hábitos sustentáveis. Implementar mecanismos de proteção socioeconômica destas populações contribui diretamente para a preservação dos habitas e ecossistemas nos quais esses grupos vivem. Para isso, medidas urgentes e vigorosas devem penalizar grandes latifundiários, madeireiras ilegais e mineradoras que invadem ilegalmente áreas pré-definidas como pertencentes às populações nativas, removendo essa grande pressão sobre elas.

Nas últimas décadas, o desenvolvimento dos conceitos da Economia Verde tem sido um grande aliado dos ambientalistas para que empresas e governos entendam o valor econômico da preservação do patrimônio ambiental. A criação do mercado de carbono, onde ocorre a comercialização de créditos de carbono, é um dos resultados desta vertente da economia sustentável. Através destes créditos, governos podem controlar e reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O ecoturismo é mais uma ferramenta que tem permitido que as pessoas tenham contato com a natureza, indiretamente preservando o habitat de centenas de espécies animais e vegetais. Outro conceito que vem sendo difundido por ecologistas são os serviços ecossistêmicos e a importância de sua manutenção. A ideia é compreender que preservar habitats e ecossistemas gera ganhos econômicos maiores do que a substituição de áreas verdes por cidades ou plantações. Por exemplo, uma floresta atua na manutenção do clima e umidade locais, além de atuar na ciclagem de nutrientes e ser o local de vida de muitas espécies de animais que realizam polinização e o controle de pragas. Demonstrar através de valores monetários reais a importância do patrimônio ambiental já se tornou um dos grandes argumentos dos ecologistas, uma vez que está linguagem é melhor compreendida no mundo corporativo e capitalista em que vivemos.

Referências:

Pagiola, S., Von Glehn, H.C. and Taffarello, D., 2013. Experiências de pagamentos por serviços ambientais no Brasil. São Paulo: SMA/CBRN, p.274.

Pelegrini, S.C., 2006. Cultura e natureza: os desafios das práticas preservacionistas na esfera do patrimônio cultural e ambiental. Revista brasileira de história, 26(51), pp.115-140.

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