Castração de gatos

Os felinos domésticos podem alcançar a maturidade sexual muito precocemente (a partir de quatro meses de vida), além disso, as fêmeas apresentam ovulação induzida, ou seja, o óvulo é liberado em virtude de estímulos mecânicos na vagina e na cérvix, que ocorrem pelo contato com as espículas presentes no pênis do macho, durante o coito.

Em média o ciclo estral das gatas é curto, o proestro dura de 1 a 2 dias, o estro pode ser prolongado por até 21 dias, o interestro varia de 16 a 21 dias, o diestro é caracterizado pela gestação e o anestro ocorre em épocas de menor luz solar, haja vista que as gatas são poliéstricas sazonais.

Uma vez que não ocorra a fertilização, o organismo dessa fêmea entrará em estado de atividade luteal, conhecido por pseudociese, com duração de aproximadamente 45 dias. No entanto, a não ocorrência da ovulação durante o estro, induz a regressão dos folículos ovarianos e o animal entra no período de repouso sexual, que dura em média 8 dias. Esse intervalo de tempo é bastante curto, o que se torna um obstáculo para o controle populacional dessa espécie.

Para se controlar a reprodução das gatas domésticas, existem alguns métodos além da castração cirúrgica, como os contraceptivos hormonais e a estimulação vaginal mecânica. A administração de progesterona é uma forma econômica de se evitar o nascimento de filhotes e, dependendo da fase do ciclo estral em que a fêmea se encontra, a medicação pode atuar ou prevenindo a regressão do ciclo estral ou inibindo a ovulação.

Entretanto, sabe-se que a exposição tanto endógena, quanto exógena dos animais à hormônios supressores do cio provoca efeitos colaterais significativos, como neoplasias mamárias (benignas e malignas), hiperplasia mamária, endometrite, hiperplasia endometrial cística (piometra), resistência à insulina, diabetes melittus, poliúria/polidipsia, reação de hipersensibilidade e muitos outros distúrbios.

A estimulação vaginal mecânica por meio de swab (haste flexível recobertas por algodão) pode induzir a ovulação, mas sem provocar os sinais comportamentais ou clínicos de pseudogestação. A literatura relata, que esse método é simples, barato e seguro para se controlar a reprodução dos felinos; ademais, ele não causa alterações uterinas significativas, quando realizado por até seis ciclos estrais consecutivos.

A gonadectomia ou cirurgia para alterar anatomicamente o trato reprodutor é o recurso mais eficaz para o controle populacional, contudo, em razão da necessidade de cuidados pré, trans e pós-operatórios, a técnica se torna onerosa e pouco acessível a grande parte da população tutora de felinos. Ela pode ser realizada tanto em fêmeas, quanto em machos, sendo nesses últimos um recurso menos complexo, haja vista que não depende da abertura da cavidade abdominal. Apesar disso, todos os animais precisam passar pela consulta com o clínico geral e também por exames pré-operatórios, para se avaliar o risco cirúrgico e o melhor protocolo anestésico.

Tradicionalmente, os animais podem ser submetidos à gonadectomia aos 6 meses de idade, mas devido às características reprodutivas felina (gestação plurípara e rápida), a esterilização a partir da sexta semana de vida tem sido aderida à rotina veterinária, na tentativa de se minimizar a proliferação de animais errantes.

Os estudos indicaram que quanto mais jovens os animais são submetidos ao procedimento cirúrgico, menores são as complicações trans e pós operatórias, além disso, devido ao metabolismo acelerado, eles se recuperam mais rapidamente. A adoção dessa prática é bastante vantajosa para os abrigos de animais oriundos da rua, já que se pode reduzir o tempo cirúrgico e os custos com a anestesia e outros fármacos, devido ao menor peso dos animais jovens.

A castração dos felinos é a melhor maneira de se eliminar o problema da superpopulação desses animais. Além disso, pode-se diminuir o comportamento hiperativo, as brigas, a competitividade, as fugas, além de evitar alguns tipos de neoplasias e também as doenças transmissíveis.

Referências

SILVA SCB. et al. Indução de ovulação com swab vaginal em gatas domésticas e seus efeitos sobre a morfologia uterina. Cienc. Anim. Bras., Goiânia, v18:1-10, 2017.

Zago BS. Prós e contras na castração precoce em pequenos animais. Trabalho de conclusão de curso. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Veterinária. Porto Alegre. 2013.

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