Fonte de água

Uma nascente consiste no afloramento da água de um lençol freático na superfície do solo. Quando esse afloramento ocorre, pode formar-se uma fonte onde a água fica represada e forma um lago. Caso a água não fique represada, ela passa a correr e nasce então um curso d’água, como um córrego, um ribeirão ou um rio. A nascente também pode ser definida como equivalente a cabeceira de um rio, que não é exatamente um ponto específico, mas uma área considerável da superfície terrestre.

A água existente nesses lençóis freáticos é resultante da infiltração de água no solo, principalmente precipitada da chuva, um processo que faz parte do ciclo da água. As nascentes possuem uma importante função nesse ciclo, pois elas representam o elo entre a água subterrânea e a superfície. Elas são parcialmente responsáveis pela origem dos recursos hídricos utilizados pela população e pelos setores econômicos. Mas elas são também a parte mais frágil do ciclo hidrológico, pois podem desaparecer por causa de práticas indevidas.

As nascentes se localizam em pontos onde o lençol freático está muito próximo ou rompe a superfície, geralmente em encostas ou depressões do terreno. As vazões de água produzidas pelas nascentes variam desde um litro por minuto até milhares de litros por minuto, dependendo do tamanho e da quantidade de água presente nos lençóis responsáveis por seu abastecimento. As nascentes podem ser fixas, quando não mudam de posição ao longo do ano, ou móveis, quando são controladas pela saturação do lençol freático, por isso mudam de posição sazonalmente. As nascentes também são classificadas como perenes (fluxo contínuo), temporárias (fluem apenas na estação chuvosa) e efêmeras (surgem como resposta direta à precipitação).

A nascente ideal é aquela que fornece água de boa qualidade, contínua e abundante, que se localiza próxima do local de utilização e em uma região topográfica elevada, possibilitando sua distribuição por gravidade. Uma característica muito importante das nascentes é que mesmo que sua água tenha sido poluída ou prejudicada de alguma forma, ela aflora purificada. Isso acontece por que ela percorre um caminho pelo perfil do solo, que serve como filtro natural. Durante esse percurso ocorrem processos como a remoção de sólidos em suspensão, a neutralização de substâncias químicas e a eliminação de microrganismos.

Diante de toda essa importância, existe a necessidade evidente de proteger as nascentes para a manutenção do equilíbrio ecológico e do meio. Existem muitas leis, resoluções, decretos e dispositivos legais que protegem as nascentes e regulamentam suas formas de uso e as obrigações de quem possui nascentes em suas propriedades. As nascentes são definidas como Áreas de Preservação Permanente (APP) desde 1965 quando foi promulgada a Lei nº 4.771 (Código Florestal). A Lei nº 12.651 (2012) também conhecida como novo "Código Florestal", prevê a proteção dos recursos hídricos e suas nascentes e considera que essas áreas são prioritárias para a preservação ambiental. Essa lei também prevê a recuperação de áreas degradadas no entorno das nascentes. No Brasil, retirar as matas ao redor das nascentes é crime, com penas que variam entre detenção e multa.

Apesar das leis, as nascentes do Brasil são afetadas por vários impactos negativos. Os principais problemas são o crescimento desordenado das cidades, que acabam por ocupar as regiões de cabeceiras dos rios (perto das nascentes), o rebaixamento do nível dos lençóis freáticos em regiões onde ocorre a super exploração de água subterrânea, o desmatamento de encostas e das matas ciliares, o uso inadequado do solo e a poluição em áreas de nascentes.

O bioma Cerrado é conhecido como o berço das águas por abrigar nascentes de importantes rios brasileiros, como os rios Araguaia, Tocantins, São Francisco, Paraguai, Parnaíba e Paraná. As nascentes só conseguem cumprir suas importantes funções quando os ecossistemas que garantem sua existência estão bem protegidos. Existe uma relação estreita entre a preservação ambiental e a disponibilidade e qualidade da água. Assim, para permitir que as nascentes continuem existindo é necessária a preservação das florestas.

Referencia Bibliográfica:

Barreto, S. R.; Ribeiro, S. A.; Borba, M. P. 2010. Nascentes do Brasil: estratégias para a proteção de cabeceiras em bacias hidrográficas. WWF – BRASIL, São Paulo.

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