Colonização espanhola na África

Os espanhóis tiveram uma pequena participação na colonização do continente africano, porém não menos devastadora que as demais potências europeias. Aportaram nas ilhas Canárias no início do século XV. Estas eram disputadas entre espanhóis e portugueses, e somente no final do século XV, em 1479, com o tratado de Alcáçovas as ilhas tornam-se uma possessão espanhola.

Neste momento, as Canárias estavam ligadas ao comércio de escravos. Essas ilhas se constituíram como o primeiro sistema colonial ultramarino, servindo posteriormente de inspiração para colonização das Américas. A agricultura produzida nas ilhas, principalmente de cana-de-açúcar, não teve como competir com as outras colônias, principalmente as Índias Ocidentais Britânicas. Devido a isso, as Canárias tornaram-se um lugar onde os espanhóis podiam parar para reabastecer navios, virando um lugar de passagem. Durante o século XIX, as ilhas Canárias passaram a produzir o cacto opuntia, alimento de um inseto, a cochinilha, que era usado como corante. No século XX, passaram a investir na monocultura de bananas e até a década de 1950 uma refinaria de petróleo foi a única indústria importante. No pós-Segunda Guerra, quando outras colônias africanas começam a se movimentar pela independência, as elites locais decidem transformar-se em um Estado, porém condicionado a Espanha até hoje.

Outra colônia espanhola foi a Guiné Equatorial, primeiramente foi conhecida pelos portugueses em 1472 que permanecem na região até 1778, quando cederam seus direitos à Espanha, com intuito de estabelecer a paz na América do Sul, na intenção que os espanhóis se retirassem da região sul do Brasil. A Guiné Espanhola tinha os territórios do Golfo da Guiné, no período de 1900 e 1959, que passaram a se chamar Região Equatorial Espanhola. Em 1968 recebe a independência sob o governo de Francisco Macías Niguema, que se proclamou presidente vitalício, e foi deposto do cargo em 1979. Com a política conturbada, a Guiné Equatorial já sofreu denúncias de órgãos internacionais por maus tratos a agricultores e por manter relações de trabalho análogos a escravidão entre 1978 e 1979.

O Saara Ocidental localizado entre o Marrocos e Mauritânia e banhado pelo oceano atlântico vivenciou entre 1880 e 1976 disputas entre os dois países vizinhos, a Espanha e a Argélia. A disputa pelo território se avolumou com a descoberta de jazidas de fosfato, cerca de dois milhões de toneladas, em 1960. Em 1974 a Espanha retira suas intenções sobre a região, porém até 1976 o Saara Ocidental era considerado uma província espanhola. Antes da retirada da Espanha do lugar, em 28 de outubro 1975, Marrocos e Mauritânia solicitam ao tribunal Internacional de Justiça uma solução para o território, alegando que tem ligações históricas com o mesmo. O tribunal reconhece as ligações, porém não concede o território aos países requerentes, que não ficaram satisfeitos. No Marrocos houve uma manifestação pacífica com cerca de 350 mil pessoas que eram contrárias a qualquer dominação sobre o Saara Ocidental. Em 28 de novembro de 1975, apoiado pelas pressões populares, o Marrocos, a Mauritânia e a Espanha assinam um acordo tripartite. Assim que a Espanha se retirou da região, a Frente Polisário, proclamou a República Democrática do Sarauí, com a base na Argélia. Como o Marrocos e a Mauritânia controlavam a região, a frente Polisário iniciou uma guerra de guerrilha retirando assim a Mauritânia da região. O conflito gerou grandes inimizades entre a Argélia, e o Marrocos. Atualmente a República Árabe do Sarauí é reconhecida em mais de 70 países pela Unidade Africana (UA). Os espanhóis tiveram uma pequena participação na colonização do continente, porém sujeitaram estes povos as suas vontades visando o próprio lucro.

Referências:

HERNANDEZ, Leila M. G. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.

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