Tetrarquia

O Império Romano passava por uma agravada crise no terceiro século. A manutenção do seu vasto território custava caro e era difícil proteger as fronteiras. Quando Diocleciano tornou-se imperador adotou medidas para tentar frear a crise que agravava a situação do Império. Sob um regime de dominato, uma monarquia despótica que aumentava as funções da administração pública, Diocleciano apostou em uma nova forma de governo que tinha por proposta a divisão do território em quatro partes. Era a chamada tetrarquia, que nascia com a ideia de fomentar um maior controle sobre o amplo território romano. No entanto, embora a intenção fosse dividir o poder para conseguir controlar as diferentes regiões do império, a medida custou caro aos cofres imperiais, pois para cada uma das regiões foi enviado não só um representante máximo como toda uma corte, necessitando assim de um aumento significativo na arrecadação de impostos.

Inicialmente Diocleciano dividiu o império em duas partes: a parte oriental e a parte ocidental, ficando ele próprio responsável pela porção oriental e Maximiano pela porção ocidental. Diocleciano continuava sendo o Imperador e concentrando poderes estando hierarquicamente acima de Maximiano, declarado então seu augusto, ou uma espécie de imperador também. Cada um dos líderes tinha sob seu poder um exército próprio, além de uma máquina administrativa e recursos financeiros. No entanto, mesmo com o Império assim dividido as rebeliões e invasões bárbaras continuaram a ocorrer por todo o império e, na tentativa de fechar o cerco contra os invasores Diocleciano sugeriu uma nova subdivisão no Império. Tanto ele como Maximiano teriam dois Césares, atuando como subimperadores, e hierarquicamente abaixo dos augustos. O César da porção oriental era Galério, enquanto Constâncio atuava como César na porção ocidental. A tetrarquia, portanto, é essa forma de governo que dividiu o Império entre dois augustos e dois césares.

Estátuas dos tetrarcas, na Praça de São Marco, Veneza, Itália. Foto: Lia Koltyrina / Shutterstock.com

Assim, o território romano foi dividido entre os quatro líderes que comandavam a administração pública e os militares, cada um em sua região, com capital própria: Diocleciano nas províncias orientais e no Egito, território cuja capital localizava-se na atual região da Turquia; Galério nas províncias balcânicas, na atual Sérvia; Maximiano era o responsável pela região da Itália e de partes do continente africano, com capital na atual cidade de Milão; e Constâncio governava a porção referente à Hispânia, à Britânia e a Gália, cuja capital estava localizada na atual Alemanha. Estes foram os primeiros representantes, mas, com sua morte, houve outros líderes que ocuparam os postos. Uma característica se destaca: nenhum deles estava localizado em Roma, que continuou sendo a capital do Império, mesmo quando seus augustos e césares estavam governando as quatro regiões fronteiriças na intenção de defender o império contra os povos que ameaçavam conflitos e invasões.

Mesmo com o poder dividido entre quatro líderes, cada um localizado em uma região do Império, houve uma preocupação sistemática na construção da imagem do Império, na intenção de demonstrar sua unidade e de não aparentar as crises que agravavam o sistema político e social à época. Uma das medidas adotadas foi retratar os quatro imperadores da mesma forma, com a mesma aparência.

Diocleciano abdicou de sua posição de Imperador em 305 e seu posto foi disputado entre augustos e césares. Foi nesta ocasião que Constantino, filho de Constâncio, governou Roma, primeiramente dividindo o poder com Licínio, e a partir de 324 sagrando-se Imperador de Roma.

Referência:

GIBBON, Edward. Declínio e Queda do Império Romano. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

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