Pílula do dia seguinte

A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência que deve ser utilizado nas primeiras horas após a relação sexual desprotegida. Apesar de seu nome popular, não é necessário ser ingerida no dia seguinte após o coito, pois seu efeito dura até 72 horas (3 dias) e sua eficácia é 52% a 94% maior quanto mais rápida for utilizada.

Seu objetivo é prevenir gestação quando se esquece de tomar a pílula anticoncepcional, o preservativo se rompe ou em casos de estupro. É importante advertir que o contraceptivo de emergência não deve ser utilizado de forma regular como método anticoncepcional principal, pois ele possui alta dose hormonal, seu uso indiscriminado e contínuo reduz o efeito e causa complicações principalmente no ciclo menstrual.

Importância

O anticoncepcional de emergência foi autorizado no Brasil em 1996 e desde então tem desempenhado um papel importante na prevenção de gravidez indesejada. Além disso, ela possui uma importância na diminuição dos casos de abortos ilegais, que representam riscos de saúde para as mulheres, já que muitas vezes são feitos de forma inadequada.

Igualmente, é um medicamento acessível, pois seu custo varia de R$ 1,50 a R$ 30,00, está disponível gratuitamente desde 2012 pelo SUS nos postos de saúde e não necessita de receita médica.

Composição

Atualmente as pílulas disponíveis no mercado são de dois tipos:

  • Uma pílula contendo 1,5 mg de levonorgestrel, utilizada em dose única horas após a relação sexual.
  • Duas pílulas contendo 0,75 mg de levonorgestrel, uma ingerida horas após a relação sexual e outra, 12 horas após a primeira.

Nos dois casos, a dose do hormônio levonorgestrel chega a ser de 8 a 20 vezes maior que os anticoncepcionais de uso diário.

No passado já foram utilizadas pílulas contendo altas doses de estrógeno, as quais causavam muito mais efeitos colaterais. Outro método, chamado Yuzpe, era a combinação entre o estrógeno e o levonorgestrel, o qual possuía efeito contraceptivo menor que a pílula atual que contém apenas levonorgestrel.

Mecanismo de ação

O levonorgestrel atua impedindo ou retardando a ovulação, dificultando a passagem dos espermatozoides pelo útero e sua chegada na tuba uterina e dificultando reações de fecundação. Essas ações vão variar de acordo com a fase do ciclo menstrual em que a mulher está quando ingere a pílula:

  • Antes da ovulação, a alta dose de progesterona impede que a hipófise libere o LH (hormônio luteinizante), responsável por desencadear a liberação do ovócito, assim retarda de 96 a 120 horas a ovulação.
  • Os espermatozoides alojam-se no colo uterino e são capazes de penetrar o útero e as tubas uterinas cerca de até 5 dias após a ejaculação. Mas, o levonorgestrel aumenta a viscosidade do muco cervical e impede a penetração e movimentação dos espermatozoides no útero. Assim, na segunda fase do ciclo, caso não tenha sido possível atrasar ou impedir a ovulação, a pílula cria um ambiente inóspito para os espermatozoides dificultando a fecundação.
  • O levonorgestrel estimula a secreção de glicodelina-A pelo endométrio, essa substância diminui a aderência do espermatozoide à zona pelúcida do ovócito, também dificultando ou impedindo a fecundação.

A pílula do dia seguinte não possui efeito abortivo, pois não altera a camada do endométrio e, ainda, caso tenha ocorrido a fecundação e a implantação, o seu hormônio atua na manutenção da gravidez, ao invés de interrompê-la ou causar danos ao bebê.

Efeitos Colaterais e contraindicações

O contraceptivo de emergência pode ocasionar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, mal-estar, cansaço, inchaço por retenção hídrica e sensibilidade nos seios. Todavia, o efeito colateral mais acentuado é a desregulação do ciclo menstrual, de forma que a menstruação pode antecipar ou atrasar e esse descontrole pode permanecer por meses.

O uso é contraindicado em lactantes, grávidas e mulheres com problemas cardiovasculares, já que aumenta a tendência a trombose. O efeito desse contraceptivo é menor em mulheres com obesidade, por isso, o uso deve ser observado com cautela nesses casos.

Referências:

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Assistência em Planejamento Familiar: Manual Técnico/Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica de Saúde da Mulher – 4a edição – Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

DREZETT, Jefferson et al. Mecanismo de ação da anticoncepção de emergência. Reprodução & Climatério, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 44-55, 2011.

SHEN, Jie et al. Interventions for emergency contraception. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 8, 2017.

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