Coito interrompido

O coito interrompido é um método contraceptivo comportamental, que consiste em retirar o pênis da vagina momentos antes da ejaculação, durante a relação sexual. Esse é um método utilizado desde a antiguidade até os dias atuais. No entanto, apresenta eficácia de 15 a 28% quando usado como método principal de forma eventual, a menor entre os contraceptivos atuais. Sua eficácia aumenta quando seu uso é contínuo por mais de um ano ou quando associado a outros métodos.

Como funciona o método

Os altos índices de falha na utilização eventual do coito interrompido estão relacionados às suas características, que são:

  • É um método que depende do autocontrole do homem durante o coito. É preciso perceber o momento adequado para interrupção do ato sexual. Alguns homens encontram dificuldade de se controlar face a excitação sexual ou apresentam ejaculação precoce involuntária.
  • A ejaculação deve ocorrer longe da vulva e de objetos que entrem em contato com essa região, como peças íntimas e a mão, pois, os espermatozoides podem penetrar a vagina, caso esteja em contato próximo, e provocar a fecundação.
  • O líquido pré-ejaculatório pode conter espermatozoides de ejaculações anteriores. Apesar de alguns estudos atuais verificarem baixa presença de espermatozoides nesse líquido, não há ainda estudos de grande abrangência para se confirmar sua ausência completa como regra. Por isso, recomenda-se urinar antes da relação sexual para que se garanta a limpeza do canal ejaculatório, caso venha a utilizar o método.

No entanto, o mais preocupante desse método é o fato de não proteger contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e o HIV, já que os fluidos pré-ejaculatórios e a superfície da pele contém bactérias, células de defesa e vírions, as partículas virais capazes de infectar os tecidos.

Quando utilizar esse método

A utilização do coito interrompido como método anticoncepcional principal deve ser desencorajado, principalmente pelos riscos de contaminação por ISTs. Mas, essa é uma forma de prevenir gestação mais eficaz do que nenhum método, ou seja, deve ser utilizado momentaneamente apenas quando não houver a possibilidade de outro método mais ativo e a relação sexual não puder ser evitada.

Em contrapartida, quando utilizado como método secundário combinado ao uso do preservativo pode ser eficiente. Do mesmo modo, a taxa de falha do seu uso perfeito é de 4% em comparação a 3% para preservativos. Para isso, é necessário que o homem tenha perfeito autocontrole durante as relações sexuais e ejacule longe da vulva. Isso pode ser alcançado com a prática protegida até o usuário sentir-se seguro.

No que concerne o risco de infecção alto nesse método, esse fato pode ser minimizado pela prática sexual monogâmica, ou seja, a redução no número de parceiros mútuo pelos casais reduz o risco de infecções. Mas, vale lembrar que muitas ISTs são veiculadas por outras vias, como o contato com sangue contaminado e podem gerar disseminação entre casais.

Vantagens e Desvantagens

As vantagens envolvem a falta de efeitos colaterais observados em métodos contraceptivos hormonais, pode ser utilizado a qualquer momento e sem custos. Além de que envolvem os parceiros na adesão do método, exige comunicação entre eles e aumenta o autoconhecimento do corpo pelos homens.

Mas, as desvantagens envolvem o desconforto e a frustração que a interrupção do coito causa para os parceiros. Além de que oferece riscos à saúde.

Referências:

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Assistência em Planejamento Familiar: Manual Técnico/Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica de Saúde da Mulher – 4a edição – Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

JONES, Rachel K.; LINDBERG, Laura D.; HIGGINS, Jenny A. Pull and pray or extra protection? Contraceptive strategies involving withdrawal among US adult women. Contraception, v. 90, n. 4, p. 416-421, 2014.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. DEPARTAMENTO DE SAÚDE REPRODUTIVA E PESQUISAS. Planejamento Familiar: Um Manual Global para Profissionais e Serviços de Saúde. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/44028/9780978856304_por.pdf;jsessionid=3037EF3B1119DF74E8C2B131B54AB46E?sequence=6. Acesso em 27/12/2019.

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